Arte

Assim como Anne Frank: Malala Yousafzai

Por Larissa Marques Ferreira

11/03/2026 19:56

Destaque
Divulgação / Editora Companhia das Letras – Livro: Eu sou Malala
Praticamente todo jovem conhece a famosa história de Anne Frank, a menina judia que foi vítima do holocausto, e enquanto se escondia dos nazistas com seus familiares, escreveu em seu diário a respeito da vida que levava, até ser levada para o campo de concentração onde morreu. Seu diário foi publicado graças ao seu pai Otto Frank, que sobreviveu ao atentado e decidiu tornar aquele diário uma prova da existência da pequena Anne e sua família.

Desta vez, venho apresentar a vocês mais uma história comovente de superação através do livro “Eu sou Malala: A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã”.

Esse livro é uma autobiografia escrita pela Malala em parceria com a Christina Lamb, sendo uma janela que revela a força única de uma menina cheia de coragem e talento, ao mesmo tempo em que mostra um universo religioso e cultural cheio de regras e características próprias.

Quando o Talibã — um grupo fundamentalista islâmico que proibia as mulheres de estudar e trabalhar e, quando elas faziam algo considerado errado, eram punidas com execução, amputação e açoitamentos públicos — tomou controle do Vale do Swat, Malala não abaixou a cabeça e lutou pelo seu direito à educação. O avanço do Talibã pelo Vale do Swat logo colocou a vida dela e sua família em risco. O pai dela era dono de uma escola que aceitava meninas e foi ameaçado, e mesmo assim, Malala continuou a estudar, desafiando as ordens da organização fundamentalista. Mesmo depois de tantas ameaças, a jovem foi convidada a participar de um blog mantido pela BBC, onde escrevia secretamente sobre como era viver em um local dominado pelo Talibã, e a primeira frase que escreveu no blog foi: “estou com medo”.

Em 9 de Outubro de 2012, quase pagou o preço de estudar com a vida, quando o ônibus em que ela voltava da escola foi parado pelo Talibã e 3 tiros foram disparados contra ela, tendo sido atingida na cabeça por um deles.

Calma que ela não morreu, e esse tiro foi crucial para que ela saísse do Paquistão e fosse até Nova York onde, aos seus 16 anos, se tornasse símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz.

Aos 16 anos, Malala publicou seu livro de memórias, o best-seller "I Am Malala". Desde então, ela escreveu mais dois livros, estrelou um documentário sobre sua infância e criou Assembly, uma newsletter que tem como público mulheres jovens. Também existem versões ilustradas para o público infanto juvenil, com o título: “Malala: a menina que queria ir para a escola” escrito por Adriana Carranca.

Malala Yousafzai e Anne Frank possuem semelhanças importantes, pois ambas representam jovens que viveram em contextos de violência e perseguição, mas demonstraram coragem e esperança. As duas valorizavam muito a educação e usaram a escrita para expressar seus pensamentos e denunciar as injustiças que enfrentavam. Mesmo em situações difíceis, acreditaram em um futuro melhor e, por isso, se tornaram símbolos de resistência, inspiração e defesa dos direitos humanos. A diferença é que uma sobreviveu e hoje está com 28 anos, e a outra morreu antes de se tornar ativista.

“Sentar numa cadeira, ler meus livros rodeada pelos meus amigos é um direito meu”
- Malala Yousafzai