Entrevistas

Ser professor: os desafios por trás da docência

Por Anna Júlia Ferreira

07/10/2026 14:19

Destaque
Imagem: Arquivo pessoal da entrevistada.

Na entrevista desta edição, em homenagem ao Mês dos Professores, conversamos com a professora Thayla Machado Guimarães Iglesias, que leciona Contabilidade e finanças. Muito querida por seus alunos, ela foi convidada para compartilhar um pouco sobre sua jornada na docência. 

 

A.J.: O que te motivou a escolher a profissão de professora?

 

T.: Acreditar que a educação pode transformar vidas é o maior motivo que me motivou a escolher a docência como profissão. A educação mudou a minha vida e a da minha família e vejo que a minha missão é essa: compartilhar os conhecimentos que possuo, aprender com cada vivência em sala de aula e transpor barreiras que somente a educação pode conseguir.

 

A.J.: Qual é a maior dificuldade que você enfrenta no dia a dia como professora?

 

T.: Vejo como maior dificuldade o desinteresse e desânimo dos estudantes. Sinto falta do gosto e do prazer pelos estudos, do brilho no olhar dos discentes vibrando por conhecimento. Com o acesso facilitado à tecnologia, a sala de aula deixou de ser importante, pois a figura do professor na transmissão do conhecimento infelizmente, para muitos, perdeu sua relevância.

 

A.J.: O que você considera mais desafiador ao lidar com os alunos?

 

T.: O mais desafiador para mim é conseguir ter a atenção dos estudantes. Nesse mundo com tantas informações e acesso facilitado ao conhecimento, muitos estão perdendo a vontade de escutar e aprender, pois não têm paciência de se colocar na condição de aprendizes. Então, esse, para mim, é o maior desafio na lida diária com os estudantes: é despertar neles o interesse em me ouvir e acreditar que seja válido dar atenção ao professor naquilo que ele ensina no dia a dia das aulas.

 

A.J.: Como você lida com situações de desrespeito ou falta de interesse dos alunos?

 

T.: Busco desenvolver aulas expositivas, mas que também sejam didáticas, nas quais o aluno seja protagonista e assume o papel de transmissor do conhecimento. Com o uso de Metodologias Ativas de Ensino, tento despertar maior interesse dos estudantes pela temática e, por consequência, espero obter maior respeito deles em sala de aula.

 

A.J.: Qual foi a situação mais marcante que você já vivenciou em sala de aula?

 

T.: Sem dúvidas foi conseguir conversar abertamente com os estudantes e mostrar a importância da educação na minha vida e porque eu prezo tanto pelo ensino de qualidade e busco respeito e dedicação em sala de aula. Com essa conversa sincera, o dia a dia passou a ser leve, a convivência harmônica e hoje acredito que desenvolvi laços de amizade e respeito com esses estudantes pelos quais tenho muito carinho.

 

A.J.: O que mais te dá alegria na profissão?

 

T.: O maior motivo de alegria para mim é possibilitar que o conhecimento transmitido seja importante para o estudante e faça sentido na vida dele profissionalmente, mas, especialmente, como pessoa. Ver os estudantes realizando seus sonhos é, sem dúvidas, motivo de orgulho e satisfação.

 

A.J.: Existe algum estudante ou momento que tenha mudado sua forma de enxergar a profissão?

 

T.: Enquanto docente no IFTM, no ano passado no Campus Patos de Minas, um estudante da zona rural me marcou profundamente. Ele acordava às 4h00 e andava no escuro pela estrada de terra e aguardava o ônibus buscá-lo no acostamento da estrada todos os dias para ir para o IFTM, debaixo de chuva ou sol, ele seguiu persistindo. É um estudante muito dedicado nas obrigações gerais do Ensino e também é muito engajado nos Projetos realizados no IFTM. É por esse estudante e por todos os outros, que lutam e têm propósito e gosto pelos estudos, que eu sigo perseverante.

 

A.J.: O que te motivou a escolher o Campus Patrocínio?

 

T.: Ser professora na rede IFTM possibilita uma experiência muito abrangente, pois atuamos tanto no Ensino técnico integrado ao ensino médio, quanto no ensino superior. A vinda para o Campus Patrocínio foi motivada, especialmente, por questões familiares, pois minha irmã é docente aqui no campus há 10 anos e escolhi morar na cidade de Patrocínio desde que passei no concurso da rede. Além disso, o Campus Patrocínio é muito desenvolvido e respeitado pelos demais campi e também já conhecia alguns profissionais daqui, os quais tenho profundo respeito e admiração. Esses fatores foram primordiais para que eu escolhesse estar aqui hoje neste campus.

 

A.J: O que você gostaria que as pessoas que não são professoras entendessem sobre essa profissão?

 

T.: Que ser professor vai além de dar aulas; enquanto professores vivenciamos profundos desafios na transmissão do conhecimento, pois precisamos nos adaptar aos avanços tecnológicos, entre outros, que ocorrem a todo momento. Além disso, estar em sala de aula requer adaptações na transmissão do conteúdo, conforme cada perfil da turma, e o relacionamento transcende ao vínculo de professores que transmitem conhecimento e os estudantes que aprendem, pois lidamos diariamente com os estudantes, seus anseios, dificuldades e particularidades, que fazem com que o nosso dia a dia no IFTM seja envolto por um relacionamento muito mais abrangente.

 

A.J.: Se pudesse voltar no tempo, você escolheria ser professora novamente? Por quê?

 

T.: Sim, escolheria! Considero que a minha missão seja aprender e ser multiplicadora de conhecimento. Eu amo estudar e descobrir coisas novas. Poder ser instrumento na vida de alguns estudantes por meio do ensino é, sem dúvidas, uma realização imensa para mim.