Arte

Quatro horas no Inhotim: um roteiro pelas obras de artistas mulheres

Por Larissa Marques Ferreira

13/10/2026 22:16

Destaque
Arte: Colagem de fotos das obras de Adriana Varejão, por Larissa Marques/Canva.

O museu “Instituto Inhotim” é uma das primeiras opções quando se trata do assunto “visita técnica do IFTM a algum museu”. Dentro do maior museu a céu aberto do mundo, existem cerca de 560 obras e algumas delas pertencem a honoráveis mulheres que expõem histórias e sentimentos. Por isso, visitá-lo é uma experiência que exige tempo.

Uma alternativa é fazer um recorte temático. Neste roteiro, o foco está na produção de artistas mulheres, passando por instalações, arquitetura, luz, natureza e diferentes formas de interação com o público, para quem tem apenas quatro horas disponíveis.

Partindo da recepção com o mapa em mãos, seguiremos pelo eixo laranja até a primeira parada: Galeria Adriana Varejão identificado por G7 no mapa. Lá você poderá contemplar artes como “O Colecionador” (2008), “Linda do Rosário” (2004), “Celacanto provoca maremoto” (2004-2008), “Passarinhos – de Inhotim a Demini” (2008); “Carnívoras” (2008); e “Panacea Phantastica” (2003-2008).

Seguindo pelo eixo laranja, chegaremos à famosa Galeria Yayoi Kusama, identificada por G19. Nela há as obras “Aftermath of Obliteration of Eternity” (2009), o famoso show de luzes em meio a espelhos d’água,  e “I’m Here, But Nothing” (2000), um ambiente doméstico comum iluminado por luz negra que é tomado por inúmeros pontos brilhantes coloridos que cintilam ao olhar do espectador.

Arte: Colagem de fotos das obras presentes na Galeria Yayoi Kusama, por Larissa Marques/Canva.

Na mesma rua, seguindo pela esquerda, veremos a exposição “Vegetation Room Inhotim” da artista Cristina Iglesias, identificada por A26. Como ela definiu: “Construí uma sala vegetal sem teto, a céu aberto no meio da floresta, com paredes de aço inoxidável, que refletem a natureza e, portanto, desaparecem, se camuflam”. 

Seguindo pelo caminho principal do eixo laranja, contemplaremos o “Embrionário” e o “Embrionário Amarrado”, criado por Elisa Bracher, identificado no mapa por A27. As duas obras têm como ponto central o peso e o equilíbrio, que são marcas da autora. A primeira é composta por troncos brutos apoiados e tensionados em suas partes, somando 13 toneladas e, a segunda por blocos de mármore espírito santo, onde criam uma relação de sustentação e instabilidade em uma estrutura que chega a 6 metros de altura. 

Mais à frente, no A33, vemos o “Contraplano” de Lais Myrrha, uma escultura localizada no ponto mais alto do eixo laranja, onde tem um diálogo com o território, a arquitetura e os percursos do público. Ela é feita baseada na arquitetura moderna brasileira e associa a forma das cavas de mineração a céu aberto, comuns nos arredores do Inhotim. 

Arte: Colagem de fotos das obras, por Larissa Marques/Canva.

Continuando a caminhada, no caminho de volta, no A25 você terá a oportunidade de conhecer a galeria “A origem da obra de arte” de Marilá Dardot. A obra nos traz a um ambiente cheio de vasos de cerâmica em formatos de diferentes letras, onde a autora nos convida a formar palavras e frases, fazendo parte de sua criação.

Caminhando um pouco mais na rua principal do eixo laranja até chegar ao G10, verá a famosa Galeria Galpão, que funciona como uma caixa de surpresas a cada vez que você visita o museu, devido à sua particularidade de abrigar obras de curta e média duração. 

Por fim, se sobrar um tempinho, você poderá visitar a Galeria Lygia Pape, identificada por G15 no mapa e a caminho da recepção. É uma galeria projetada para apurar suas percepções de espaço ao caminhar no escuro à procura por algo escondido na escuridão: teias de aranha que, dependendo da luz projetada, aparecem como um show de linhas iluminadas. 

Arte: Colagem de fotos das obras citadas, por Larissa Marques/Canva.

Essa foi uma das inúmeras possibilidades de percurso pelo Instituto Inhotim, passando por obras de artistas mulheres que deixaram uma prova de identidade nesse local. Nesse percurso sugerido você também passará por outras galerias, obras ao ar livre, jardins temáticos e paradinhas para o lanche. Se é a sua primeira vez fazendo essa viagem, não se esqueça de levar garrafinha de água, protetor solar e ir com uma roupa confortável para não ficar em apuros! 

Quatro horas podem não ser suficientes para conhecer todo o Inhotim, mas podem ser suficientes para descobrir novas formas de enxergar a arte.