Opiniao-Apimentada

Diversidade em risco: O impacto do preconceito na vida dos estudantes

Por Estéfani Primo de Souza

11/03/2026 21:16

Destaque
Artigo: Diversidade nas redes sociais existe mas ela ainda não recebe devida atenção das marcas
Estudar no IFTM é um sonho de muitos, não apenas pela estrutura e pelas oportunidades oferecidas pelo campus do Instituto Federal localizado no interior de Minas Gerais, mas também pela possibilidade de crescimento e desenvolvimento intelectual, que é valorizada por grande parte da população interiorana. O sonho, no entanto, começa a se tornar um pesadelo quando discriminação se disfarça de brincadeiras no chamado “racismo recreativo” tão discutido nas redes sociais como sendo uma forma de humor, algo para “fortalecer” a vítima para o mundo real. Mas até que ponto devemos aceitar esse tipo de comportamento dentro do campus e até onde podemos remediar com as ferramentas que já possuímos como parte do nosso dia-a-dia?

O racismo recreativo se dá quando falas racistas são utilizadas em forma de humor, na intenção de desumanizar grupos racializados, e se tornou norma nos diálogos adolescentes, partindo da crença que com tudo se brinca e nada se leva pro coração. Agredir o colega com palavras não é nada novo na cultura de bullying desenvolvida nas redes sociais e carregada até os corredores e salas de aula, não apenas do Instituto Federal, como de outras escolas públicas e privadas de Patrocínio e do Brasil. Entretanto, não há como aceitar esse tipo de comportamento opressor nos corredores de uma instituição que se orgulha por acolher, respeitar e celebrar diversidade.

Existe uma lacuna social quando abordamos temas tão sensíveis, mas tão ausentes em muitas salas de aula. Adolescentes absorvem tudo que têm acesso em redes sociais e são facilmente manipuláveis, incapazes de mediar o que falam, por acreditarem que tudo é uma grande brincadeira. O racismo recreativo é uma das formas mais passíveis de racismo, justamente por colocar em xeque a credibilidade da vítima. Questionamentos que podemos observar durante o julgamento do humorista Léo Lins, condenado em 2025 a pagar indenização por suas piadas racistas e capacitistas. O caso reacendeu o debate sobre os limites da liberdade de expressão, lembrando-nos da máxima do ensino básico: a sua liberdade termina onde começa a do próximo.

Lidar com situações de racismo, machismo, homofobia e tantas outras formas de preconceito é sempre um desafio que não pode ser invisibilizado. Vários estudantes e servidores têm comentado sobre a necessidade de intensificar debates sobre o tema no IFTM. Tomar atitudes mais justas e conscientizar opressores já é um grande passo, seja através do NEABI (Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas) ou por intermédio do NEDSEG (Núcleo de Estudos de Diversidade, Sexualidade e Gênero). Além disso, é extremamente importante propiciar ações, projetos e parcerias que coíbam práticas cruéis.

Atividades sobre diversidade e ações mais severas sobre agressões são esperadas a partir de quaisquer denúncias que chegam até a Coordenação de Ensino ou Núcleo de Apoio Pedagógico. Não existem desculpas quando crimes são tratados como brincadeiras, não existe uma forma de contornar a situação sem que haja punições para os agressores e acolhimento para as vítimas. Além disso, para aqueles que apenas observam sem nada fazer, seja por falta de entendimento sobre a gravidade do que está sendo cometido ou apenas por falta de interesse em agir sobre algo que não os afeta diretamente, cabem saberes que podem (e devem) ser trabalhados de maneira transversal por diversos docentes.

O IFTM é um sonho e deve continuar sendo, mas para que isso aconteça, medidas devem ser tomadas para que a dignidade de toda a comunidade acadêmica seja preservada.