Entrevistas

Do IFTM para o mundo: a experiência de intercâmbio em Cingapura que transformou estudante de ADS

Por Luiz Fernando Hypolito

12/03/2026 20:49

Destaque
Acervo pessoal da entrevistada.
“Antes, Singapura era um sonho distante. Viver aquilo me fez perceber que muitos limites estão apenas na nossa mente.” — Karine Vitória

Realizar um intercâmbio internacional é o sonho de muitos estudantes. Para Karine Vitória Silva Rodrigues, egressa do curso Técnico em Contabilidade Integrado ao Ensino Médio e atualmente estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) campus Patrocínio, esse sonho começou ainda no primeiro ano do ensino médio e foi construído com persistência, dedicação e fé.

Nesta entrevista, ela compartilha como surgiram a oportunidade, os desafios enfrentados, os aprendizados acadêmicos e pessoais, além de contar como a vivência em Singapura impactou sua trajetória.

O início de um sonho

O interesse pelo intercâmbio surgiu logo no início do curso técnico integrado ao médio, quando ela explorava o site do IFTM e descobriu as bolsas internacionais oferecidas pela instituição.

“Era um sonho de infância. Quando vi que o IFTM oferecia essa possibilidade, comecei a estudar os editais e a participar de tudo que contava pontuação: palestras, projetos voluntários, atividades extracurriculares e cursos do CENID.”

Ainda no primeiro ano, conquistou uma vaga no curso de inglês do CENID. Depois, passou a estudar espanhol e, durante algum tempo, priorizou editais para a Espanha. Foram várias tentativas e respostas negativas. Mas, em vez de desistir, decidiu se dedicar ainda mais.

Já na graduação, no 2º período de ADS, inscreveu-se novamente — dessa vez colocando Singapura como segunda opção. No segundo edital para o país asiático, conquistou o 1º lugar com bolsa.

“Foi a realização de um sonho que eu vinha construindo há anos.”

Por que Singapura?

Embora inicialmente tivesse insegurança com o inglês, Singapura sempre despertou curiosidade. Desde pequena, ela assistia vídeos sobre os lugares mais futuristas e desenvolvidos do mundo — e o país asiático estava sempre entre eles.

“Eu fiquei encantada. Era um sonho conhecer aquele lugar. Hoje posso dizer com certeza: não me arrependo nem um segundo.”

Preparação e primeiros desafios

Se engana quem pensa que o mais difícil foi a seleção. A preparação exigiu organização, responsabilidade e coragem.

Foram reuniões com a equipe do IFTM e com a instituição anfitriã, organização de documentos, compra de passagens, contratação de seguro, preparação financeira e até estudo de frases em inglês. Ela também precisou aprender, na prática, como funciona a dinâmica de aeroportos e conexões internacionais — já que nunca havia viajado de avião.

O trajeto até Singapura incluiu conexões em Guarulhos, Amsterdã e, na volta, Paris. Ao chegar ao destino final, enfrentou um “choque térmico” ao sair do aeroporto climatizado para o calor úmido típico do país.

“Mas quando entrei na van e vi aqueles prédios misturados com natureza, organização e limpeza, caiu a ficha de que eu realmente estava vivendo aquilo.”

Diversidade cultural e adaptação

Singapura é conhecida por sua forte diversidade cultural, reunindo influências chinesas, indianas, malaias e árabes. A estudante morou na casa de uma família indiana e dividiu quarto com uma colega tailandesa.

“Eu gosto de conhecer coisas novas, então minha adaptação foi rápida. Respeitei todas as regras da casa, como lavar os pés antes de entrar.”

Na escola, conviveu com colegas da França, China, Coreia do Sul, Camboja, Tailândia, Estados Unidos, Equador, Arábia Saudita e até encontrou outra brasileira. Para ela, era como viver “o mundo inteiro em um só lugar”.

Ensino na prática

Sobre o sistema de ensino, ela percebeu muitas semelhanças com o IFTM, mas com ainda mais foco na prática e na conversação.

“As aulas tinham apresentações, debates, jogos e trocas culturais. Tudo em inglês, sem tradutor.”

Além disso, a instituição promovia atividades extracurriculares como tours, cinema na praia, aulas de culinária e dança — experiências que ela fez questão de aproveitar ao máximo.

Aprendizados acadêmicos e profissionais

Um dos principais aprendizados foi desenvolver autonomia no idioma.

“Percebi que não podia depender 100% do celular ou do tradutor. Precisei confiar no contexto, na minha atenção e na minha capacidade.”

Para a área de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, a experiência também foi transformadora. Estar em um país altamente tecnológico ampliou sua visão sobre inovação, eficiência e organização.

“Conviver com pessoas de vários países me mostrou que a programação é praticamente uma linguagem universal. A lógica é a mesma, independentemente do país.”

Ela passou a observar com olhar profissional os sistemas de transporte, as automações e as soluções inteligentes presentes no dia a dia de Singapura.

Crescimento pessoal

Se no âmbito acadêmico houve evolução, no pessoal a mudança foi ainda mais profunda.

“Antes, Singapura era um sonho distante. Viver aquilo me fez perceber que muitos limites estão apenas na nossa mente.”

A experiência trouxe maturidade, gratidão e autoconfiança. Ela descreve o retorno ao Brasil como o início de uma nova versão de si mesma — mais forte e determinada.

Momentos inesquecíveis

Entre os momentos mais marcantes estão os voos internacionais, os passeios turísticos, as amizades construídas e até detalhes simples, como as máquinas de suco de laranja natural espalhadas pela cidade.

“Era um momento simples, mas que me fazia muito feliz. Sempre que eu lembrar de Singapura, vou lembrar disso.”

Uma mensagem para quem sonha

Para os estudantes que desejam fazer intercâmbio, ela deixa um conselho direto:

“Não espere. Comece agora. Estude os editais, participe de atividades, aprenda idiomas no CENID, aumente sua pontuação. Cada esforço conta. Eu recebi vários ‘nãos’ antes do meu ‘sim’.”

Ela também reforça a importância da preparação prática e da fé:

“A coragem vem no caminho. Se eu consegui, você também consegue.”

Gratidão ao IFTM

Ao final da entrevista, ela faz questão de destacar o papel fundamental do IFTM em sua trajetória.

“A bolsa não foi apenas uma oportunidade acadêmica, foi uma porta que se abriu para o mundo. Meus professores me ensinaram disciplina, responsabilidade e a acreditar que eu era capaz.”

Para ela, a instituição pública de qualidade foi a base que transformou um sonho de infância em uma experiência internacional concreta — e inesquecível.